Klaus Junge
Torneio de Grandes Mestres 1942. Stoltz – Klaus Junge (à direita)Jogou torneios vestindo orgulhosamente seu uniforme. (ver foto)
Klaus Junge foi convidado a participar do grande torneio de Praga, substituindo o ex-campeão do mundo, Dr. Max Euwe, da Holanda. Liderava com um ponto à frente dos demais, quando, na última rodada, Alekhine o derrotou, terminando empatado com ele em primeiro lugar.
Klaus Junge nasceu em Concepción (Chile) em 1924 e morreu na Alemanha, em 17 de abril de 1945, na batalha de Hamburgo, a três semanas do final da 2ª guerra mundial. Quando nasceu, a Alemanha se encontrava numa forte depressão econômica devido à derrota na 1ª guerra mundial.
Os historiadores explicam que em função das terríveis sanções dos países vencedores praticamente todo o povo alemão procurou uma saída para a crise mediante a afiliação ao novo movimento nacional-socialista, que posteriormente se converteu no regime de ditadura de Hitler. E parece que esta mania nacional-socialista e a filosofia da raça superior germânica afetou sobremaneira também ao jovem talento do xadrez, Klaus Junge.
Mas comecemos pelo princípio:
Klaus Junge aprendeu a jogar xadrez com seu pai, Otto Junge, que, por sua vez, também era um jogador de grande qualidade. Já no ano de 1938 jogou ao lado de seu pai, no sétimo tabuleiro do Clube de Xadrez de Hamburgo, que chegou a ocupar o terceiro lugar no campeonato alemão por equipes.
No ano de 1941, converteu-se no campeão da cidade de Hamburgo, ganhando todas suas partidas. No mesmo ano, compartilhou o primeiro posto com o conhecido mestre Paul Schmidt no campeonato “pan german”, em Bad Oeynhausen, mas perdeu no desempate.
Não obstante, em 1942, ganhou, isolado na primeira colocação, o campeonato “pan german”.
No mesmo ano, participou do torneio internacional de Salzburgo, ganhando uma partida de Alexander Alekhine, que reproduzimos abaixo, e perdeu outra frente ao então campeão mundial. Finalmente, ocupou o terceiro lugar, depois deste e de Paul Keres, da Estônia.
Alekhine viu em Klaus Junge, então com 18 anos, o seu sucessor lógico no trono mundial. Junge atingiu seu melhor Elo histórico em setembro de 1942, com 2.661 pontos.
Dado que Junge foi obrigado a “pegar nas as armas”, já não pôde participar em nenhum outro torneio.
Quando faleceu, aos 21 anos, era subtenente do exército alemão.
Sua morte parece absurda porque, cercado e instado a render-se, saltou de sua trincheira para gritar: “Sieg Heil!”, e foi massacrado.
Os experts opinam que Klaus Junge foi o maior talento do xadrez alemão no século XX, afora o Dr. Robert Huebner.
Denomina-se Variante “Klaus Junge”a sequência dentro do gambito de dama que posteriormente foi adotada por Botwinnik: 1. d4 – d5, 2. c4 – e6, 3. Cf3 – Cf6, 4. Cc3 – c6, 5. Bg5 – dxc4, 6. e4 – b5...conduzindo em seguida a grandes complicações táticas:
Era considerado um excelente jogador de finais, ganhando boa parte de suas partidas nessa fase do jogo.
Em 1956, aparece publicada uma recompilação de suas partidas com o título de “Das war Klaus Junge” (“Este era Klaus Junge”).
Apesar de todos seus gostos nacional-socialistas, devemos reconhecer a Klaus Junge como um extraordinário talento, e esquecer-nos de misturar a política com o xadrez.
Frank Mayer - Revisado por Joan Canal
Barcelona, Agosto de 2006
Fonte: Wikipedia
Publicado originalmente no site TablaDeFlandes.com.